Um estudo global realizado pela universidade americana Johns Hopkins, em parceria com a faculdade de medicina da USP, apontou o trânsito de Campinas (SP) como o segundo pior da América Latina em excesso de velocidade de motociclistas.
A pesquisa foi divulgada nesta terça-feira 29) pela Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec), durante uma reunião do Observatório Municipal do Trânsito. A autarquia tem um convênio com a USP para realização do estudo.
O levantamento apresentou dados inéditos sobre fatores de risco no trânsito de Campinas e é focado principalmente em motociclistas. O estudo tem como data base o mês de setembro do ano passado, quando os dados foram coletados, e também teve apoio, além da Emdec, da Iniciativa Bloomberg para Segurança Viária Global (BIGRS), Vital Strategies, e o governo municipal.
Só perde para Guayaquil
De acordo com o estudo, o índice de excesso de velocidade de motociclistas em Campinas, em setembro de 2024, foi de 60%. Ou seja, seis em cada dez motociclistas trafegam em índices superiores do que o permitido.
Entre as cidades pesquisadas na América Latina, Campinas só perde para Guayaquil, no Equador, que registrou 84%. Confira o top-5:
Guayaquil (Equador): 84%
Campinas (Brasil): 60%
Cali (Colômbia): 59%
Córdoba (Argentina): 57%
Bogotá (Colômbia): 47%
Estudo mostra excesso de velocidade de motociclistas na América Latina
Reprodução/EPTV
De acordo com a pesquisa, o excesso de velocidade entre motociclistas foi mais que o dobro em relação a motoristas de veículos leves (27%) e pesados (20%).
O levantamento ainda apontou que os usuários vulneráveis das vias (motociclistas, pedestres e ciclistas) corresponderam a 80% das mortes no trânsito no ano passado.
Estudo
A partir de 2022, a Johns Hopkins International Injury Research Unit realiza ações em Campinas para reduzir lesões e mortes no trânsito. O relatório divulgado nesta terça-feira também compara os resultados de setembro de 2024 com outubro de 2022.
“Existe uma tendência de crescimento de excesso de velocidade. Algumas cidades tiveram redução, mas Campinas, por exemplo, apresentou um aumento. As campanhas de conscientização auxiliam a reduzir a gravidade dos acidentes”, disse a pesquisadora da USP, Daniele Mayumi.
Recomendações
O estudo aponta também recomendações para que a administração municipal tente reduzir os acidentes no trânsito, como realização de campanhas de conscientização. Veja abaixo:
Implementar campanhas de mídia de massa em coordenação com esforços de fiscalização, focando nos perigos da velocidade;
Desenvolver um plano de gestão de velocidade em Campinas para promover o estabelecimento de velocidades seguras (de acordo com as recomendações da Organização Mundial da Saúde) e a padronização de limites de velocidade em vias com características semelhantes;
Adotar e implementar limite máximo de 50km/h em áreas urbanas e limite máximo de velocidade de 30km/h para vias onde exista uma elevada interação entre o tráfego de veículos motorizados, pedestres e ciclistas, de acordo com as recomendações da Organização Mundial da Saúde;
Ampliar a implementação de medidas de redução de velocidade por meio de intervenções de Ruas Completas e Urbanismo Tático, correções geométricas e de sinalização nos principais pontos críticos e expansão da infraestrutura cicloviária.
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