Termo enviado aos responsáveis falava apenas sobre a vacinação contra a HPV em Praia Grande, SP
Arquivo pessoal
Mães de alunas de uma escola municipal de Praia Grande acusam a unidade de vacinar suas filhas sem consentimento durante uma campanha de vacinação. Segundo elas, a diretoria havia comunicado a imunização contra o HPV, mas foram aplicados outros imunizantes. Uma das meninas teve reações alérgicas. A Prefeitura de Praia Grande disse que atualiza o esquema vacinal das crianças e adolescentes que estejam com vacinas em atraso.
O caso ocorreu na escola municipal Roberto Mario Santini, localizada no bairro Guilhermina. Um termo de autorização para a vacinação foi enviado para os pais, na última segunda-feira (25). Os responsáveis precisaram preencher o documento para autorizar que as crianças recebessem o imunizante contra o HPV.
Ao g1, as mães destacaram que o comunicado falava especificamente sobre a imunização contra o HPV. Porém, segundo elas, foram aplicadas as vacinas contra a gripe e a dengue nas menores. “Foi um abuso da direção passar por cima da autorização dos pais, o consentimento dos pais […] eles têm que respeitar”, disse uma das mães, que prefere não ser identificada.
A mãe de uma estudante, de 13 anos, disse que a filha apresentou reações às vacinas e precisou de atendimento médico na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Quietude, na quarta-feira (27). “Eu estava trabalhando e a minha filha mandou mensagem para mim, falando que estava com dor de cabeça e que estava com dor no corpo”, conta.
As mães destacaram que entraram em contato com a diretora da escola e ela não tinha conhecimento de que eram aplicados outros imunizantes durante a campanha.
“Eles [escola] teriam que seguir autorização dos pais apenas para HPV, não sair aplicando as outras vacinas, atualizando [a carteira de vacinação] sem o consentimento”, disse a outra mãe.
Mães contaram que adolescentes apresentaram reações à vacina em Praia Grande (SP)
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Riscos?
O médico infectologista Sergio Feijoó Rodriguez afirmou que os imunizantes aplicados são seguros e fazem parte do Programa Nacional de Imunização (PNI).
Segundo ele, os benefícios superam em muito os possíveis efeitos colaterais, que normalmente são leve desconforto no local da aplicação, um pouco de vermelhidão e febre baixa. O especialista orientou que, caso algum efeito colateral ocorra, o Programa Municipal de Vacinação deve ser comunicado.
A pediatra Márcia Rodrigues também destacou que a aplicação de mais de uma vacina no mesmo dia não apresenta riscos às adolescentes, que já possuem um sistema imunológico mais forte. “Aos dois meses, uma criança toma difteria, tétano, coqueluche, hepatite B, poliomielite, pneumococo e rotavírus. Tudo no mesmo dia […] O risco realmente não existe, é virtual”, explica.
Vacina sem autorização?
Consultada pelo g1, a advogada Simone Caetano, da Comissão de Direitos da Criança e do Adolescente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Santos, disse que não houve irregularidade na vacinação sem o consentimento dos pais.
“A carteira de vacinação das crianças e dos adolescentes é condição de educação pública, de saúde pública. É uma vacina, não é um remédio. [A adolescente] foi tomar uma vacina para preservar a saúde”, explica.
O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) ainda prevê que “é obrigatória a vacinação das crianças nos casos recomendados pelas autoridades sanitárias”. Não há, no entanto, nenhuma especificação que exija a autorização prévia dos pais. O Programa Nacional de Imunização (PNI) permite, ainda, a integração com escolas municipais para campanhas de vacinação.
Novo protocolo do Ministério da Saúde recomenda 1 dose de vacina contra HPV
Prefeitura
Em nota, a Prefeitura de Praia Grande disse que, em atendimento ao Ministério da Saúde, tem desenvolvido uma campanha de vacinação que visa resgatar adolescentes e jovens de 15 a 19 anos que ainda não receberam a vacina contra o HPV, essencial na prevenção de cânceres do colo do útero, vulva, pênis, ânus e orofaringe.
“As ações são desenvolvidas pelas Unidades de Saúde da Família (Usafas) dentro das próprias unidades, por meio de busca ativa, e também em parceria com escolas municipais, dependendo da avaliação das equipes de saúde”
Além disso, o município disse que tem efetuado a análise da carteira de vacinação e a atualização do esquema vacinal das crianças e adolescentes que porventura estejam com vacinas em atraso, conforme determina o PNI – conforme decreto 78.231/76.
A Secretaria de Saúde informou ainda que não recebeu nenhuma notificação de reação alérgica devido à vacinação na referida escola e que o caso será apurado pela Secretaria de Saúde (Sesap).
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