Suspeitos de manter empregada em situação semelhante à escravidão na Bahia diziam que vítima ‘não sabia lidar com dinheiro’

Os patrões suspeitos de manter uma empregada doméstica em situação semelhante à escravidão em Itabuna, no sul da Bahia, diziam que a vítima “não sabia lidar com dinheiro”. A funcionária foi resgatada na segunda-feira (25), após trabalhar 50 anos sem receber salário e ter benefício social roubado. Ninguém foi preso.
“Além de não receber o salário, ela não ficava com o benefício, que era dela, sob alegação de que ela ‘não sabia lidar com o dinheiro’. Essa alegação é muito frequente nesses casos, pois essas vítimas normalmente têm pouca escolaridade”, explicou a auditora fiscal do trabalho, Liane Durão.
A vítima tem 64 anos e foi resgatada sem nenhum dente durante uma operação da Auditoria Fiscal do Trabalho com o Ministério Público do Trabalho e a Defensoria Pública da União. Ela foi acolhida pelos auditores, passou por exames médicos e por atendimento psicológico.
Em relação ao benefício social, os valores eram sacados e não repassados para a funcionária. Não há detalhes do valor roubado pelos patrões.
Ao longo da vida, a vítima foi passada como uma espécie de “herança” entre as gerações da família. Ela trabalhou para a matriarca da família e atualmente morava com a filha e a neta.
Segundo a auditora fiscal do trabalho, Liane Durão, a idosa está bastante debilitada e tem um ferimento na perna que dificulta a locomoção.
Patrões podem responder na Justiça
Após o resgate da empregada doméstica, foi determinado o registro formal do período de trabalho e o pagamento das verbas rescisórias e trabalhistas. Apesar disso, nenhum valor foi pago até esta terça-feira (26).
Segundo a auditora fiscal Liane Durão, o caso pode ter repercussões criminais para a Polícia Federal (PF) e Ministério Público Federal (MPF).
*Essa reportagem está em atualização

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